Óleo Residual de Fritura da Associação Vira Combustível (Biodiesel)
por Paulo Christoff*
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Há anos vêm sendo realizadas experiências com combustíveis alternativos, comprovando a preocupação de pesquisadores, governos e sociedade em geral com o eventual esgotamento das reservas petrolíferas e com a questão ambiental (gases poluentes).
Pela definição da lei nacional número 11.097 de 13/01/2005, o biodiesel pode ser classificado como um combustível alternativo, de natureza renovável, que possa oferecer vantagens sócio-ambientais ao ser empregado na substituição total ou parcial do diesel de petróleo em motores de ignição por compressão interna (motores do ciclo Diesel). Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como: mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso, soja, resíduos e dentre outras (FERRARI et al., 2004).
Hoje, no Brasil, parte do óleo vegetal residual oriundo do consumo humano é destinada a fabricação de sabões (MITTELBACH, 1988; NETO et. al., 2000) e, em menor volume, à produção de biodiesel (NETO et al., 2000, FERRARI, OLIVEIRA e SCABIO, 2005).
Primeiramente deve-se considerar o baixo custo dos rejeitos de óleos e gorduras empregados como matéria-prima, bem como sua disponibilidade de fornecimento, conforme o levantamento feito em Curitiba e Região Metropolitana, em uma grande quantidade de estabelecimentos geradores (restaurantes, indústrias, pastelarias, entre outros), chega em 80 toneladas/mês.
Entretanto, a maior parte deste resíduo é descartada na rede de esgotos, sendo considerado um crime ambiental inadmissível. A pequena solubilidade dos óleos vegetais na água constitui como um fator negativo no que se refere à sua degradação em unidades de tratamento de despejos por processos biológicos e, quando presentes em mananciais utilizados para abastecimento público, causam problemas no tratamento da água. A presença deste material, além de acarretar problemas de origem estética, diminui a área de contato entre a superfície da água e o ar atmosférico impedindo a transferência do oxigênio da atmosfera para a água e, os óleos e graxas em seu processo de decomposição, reduzem o oxigênio dissolvido elevando a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), causando alterações no ecossistema aquático (DABDOUB, 2006). A produção de um biocombustível a partir deste resíduo traria inúmeros benefícios para a sociedade, pois haveria diminuição de vários problemas relacionados ao descarte deste resíduo, sendo que, além destes benefícios, ainda haveria a possibilidade de aumentar a produção e a utilização de biocombustível, como no caso o biodiesel, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa, contribuindo com o meio ambiente.
O biodiesel se insere na matriz energética brasileira como um aditivo, segundo o marco regulatório (Lei nº 11.097/2005, publicada no Diário Oficial da União em 13/01/2005), cuja evolução vai, a contar da criação desta lei, até a obrigatoriedade do uso do B5 (adição de 5% de biodiesel ao diesel), a partir de 2013 (Figura 1).

Figura 1 (clique na figura para ampliar) – Evolução do marco regulatório do biodiesel na matriz energética brasileira.
Fonte: ABIOVE, 2005
Estudos sugerem que a maior parte do aquecimento global é decorrente da emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE), provocada por atividades humanas (queima de combustíveis fósseis, desmatamento, crescimento desordenado das metrópoles entre outras). Os GEE impedem a saída da radiação do planeta, causando o denominado “efeito estufa”. É indispensável um gigantesco esforço para reduzir essa emissão, em não ocorrendo, é quase certo que o clima do planeta venha a se alterar, com aumento da ocorrência de fenômenos climáticos extremos, o que pode ter conseqüências drásticas para todos os seres vivos (Peterson & Hustrulid, 1998; Herrera, 1995; Shay, 1993).
A redução das emissões de GEE pode ser relevante, contudo os valores monetários associados a possíveis créditos de carbono ainda são baixos. Para valores de crédito entre US$ 1 e 5/toneladas de carbono avaliado, estes valores corresponderiam a cerca de 3% do custo da produção de biodiesel (AMBIENTEBRASIL, 2006). O óleo diesel é responsável pela emissão de cerca de 2,5 tCO2/m3 (OLIVÉRIO, 2005). Segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), com a adição de biodiesel cerca de 78% dessas emissões serão evitadas, o que corresponde a 1,7 MtCO2e/ano a menos na atmosfera. Considerando o preço das reduções certificadas de emissões a US$ 5,00/tCO2, ter-se-ia uma receita de US$ 8,5 milhões/ano.
Vários processos tecnológicos estão sendo utilizados para obtenção do biodiesel via transesterificação. Na Figura 2, está mostrado um destes processos para a produção de biodiesel a partir de óleo residual de fritura, constituído por etapas de pré-tratamento da matéria-prima, reação de transesterificação e de purificação do biodiesel obtido.

Figura 2 (clique na figura para ampliar) – Processo de obtenção de biodiesel a partir da transesterificação etílica do óleo residual de fritura.
Com a instalação de uma pequena unidade de produção de biodiesel utilizando o óleo residual de fritura como matéria-prima para a produção de biodiesel, a instituição, estaria ajudando a preservar o meio ambiente e garantindo a qualidade de vida da população, sob dois aspectos: no primeiro , este óleo residual não seria descartado na rede de esgoto, diminuindo a contaminação de rios e solo e no segundo, estaria contribuindo para diminuição da emissão de gases poluidores.
Levando em conta estes aspectos difíceis de serem mensuráveis, pode-se concluir que o custo do empreendimento tecnológico é insignificante frente aos imensos benefícios ambientais e sociais possíveis de serem gerados.
*Paulo Christoff é professor na UNIFAE Centro Universitário Franciscano do Paraná, do Curso de Engenharia de Producao e de Engenharia Ambiental, Licenciado em Quimica pela UFPR e Mestre em Desenvolvimento de Tecnologia (Biocombustivel).
Contato: professorpauloc@yahoo.com.br
Um comentário:
ah nãão! não acredito q o Paulo dá aula no curso q escolhi!! se eu for pra FAE vo ter q aguenta ele de novo!! =D
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